Endometriose: como tratar a dor pélvica
- Dr. Bruno Giusti Werneck
- 10 de mar. de 2021
- 3 min de leitura
Março é considerado o Mês Mundial de Conscientização sobre a Endometriose, e esta semana é especialmente importante por incluir o Dia Internacional da Mulher. Quando falamos de endometriose, a dor pélvica talvez seja o sintoma mais incapacitante relacionado à doença.
Esse desconforto é o que costuma nos orientar com relação aos rumos do tratamento. Apesar de a infertilidade e as alterações do ciclo menstrual serem aspectos significativos da endometriose, a dor e o seu controle são talvez os maiores desafios no cuidado com as pacientes.
Por que a endometriose gera dor pélvica?
A dor pélvica da endometriose tem relação com o ciclo hormonal da mulher e à fibrose relacionada à inflamação – mas o desconforto não está restrito a esses fatores. Em outras palavras, o tecido do endométrio, parede uterina, deveria estar na cavidade do útero.
Mas, quando ele se desloca e adere às estruturas intra-abdominais, ele permanece ativo e reage às variações hormonais do ciclo menstrual.
Essa variação gera inflamação que irrita o peritônio, uma membrana da pélvis, causando dor. Além disso, a cicatrização gera fibrose, que causa aderências e retrações, com deformidades dolorosas no interior do abdome. É por isso que a dor das mulheres com endometriose tende a se intensificar na época menstrual, apesar de não ficar restrita a ela, necessariamente.
Como tratar a dor pélvica da endometriose
Não existe uma única forma de tratamento da dor pélvica da endometriose, e é indispensável a participação da paciente nas decisões sobre o seu caso.
Algumas perguntas são fundamentais para tal abordagem são:
Você deseja engravidar? Se sim, quando?
A dor tem qual frequência e intensidade?
Você apresenta alterações no ciclo menstrual?
Há dor durante o ato sexual?
Há alterações do habito intestinal quando vai menstruar? E fora dessa época?
O tratamento para a dor, levando em conta os sintomas, pode ser passado à mulher mesmo sem o diagnóstico. Porém, quanto mais precisa for a avaliação diagnóstica da paciente, mais adequada será a abordagem.
Além de tudo, quanto mais se sabe sobre a paciente, seus hábitos de vida e seus desejos, inclusive de engravidar, maior será a chance de sucesso e satisfação.
Tratamentos para endometriose
O tratamento hormonal pode ser interessante para o controle dos sintomas de dor pélvica, entre outros. Entretanto, quando a suspeita de endometriose ainda não foi confirmada pelos exames ou cirurgia, isso pode contribuir para o atraso no diagnóstico.

Como a doença é predominantemente dependente do hormônio estrógeno, a supressão hormonal por meio de anticoncepcionais progestagênicos tem bons resultados. Apesar de conter estrogênio, os anticoncepcionais com combinação de hormônios de baixas dosagens podem ser utilizados em alguns casos e não parecem piorar o curso do problema.
O tratamento hormonal não se resume aos contraceptivos orais. Existem também opções como a colocação de Dispositivos Intra-Uterinos (DIU) de progesterona, bem como versões injetáveis que são agonistas do GnRH e inibidores de aromatase – termos técnicos, mas que representam substâncias específicas relacionadas ao ciclo menstrual.
Essas opções têm seu uso aprovado, mas como são muito específicos, somente o médico especialista tem condições de analisar e definir quais pacientes são candidatas para esses tratamentos.
Hormônios e endometriose
Nem toda paciente irá responder ao tratamento medicamentoso. Além disso, mulheres com interesse em engravidar não são candidatas a essas opções.
Mas a maior vantagem dos hormônios será para aquelas que, além da dor pélvica, apresentam alteração no ciclo menstrual e incômodo durante a relação sexual. Os medicamentos podem melhorar esses sintomas também.
De toda forma, a avaliação individualizada é essencial. Após avaliar de maneira completa o caso de cada paciente, o médico poderá chegar à conclusão de que a cirurgia é a melhor opção no tratamento da dor pélvica.
Cirurgia para casos de dor pélvica
Orientações da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE) aceitam o tratamento cirúrgico da endometriose para a melhora da dor. Mas é importante lembrar que a equipe deve ter experiência nesse tipo de procedimento e, sempre que possível, realizá-lo de maneira minimamente invasiva e com profissionais de múltiplas especialidades.
A equipe que trata a endometriose deve estar preparada para abordar lesões que afetam os aparelhos:
Reprodutor (ginecologia);
Gastrointestinal (coloproctologia);
Urinário (urologista).
Isso é necessário pois nem todas as lesões são identificadas durante os exames de avaliação e muitas vezes as decisões de tratamento devem ser tomadas durante a cirurgia.
Tratamento da paciente deve ser completo
Como já discutido em outros posts sobre endometriose aqui no blog, a cirurgia pode ajudar muito a resgatar a qualidade de vida das mulheres, mas o tratamento deve ser feito de maneira completa. Isto é, muitas vezes, ele inclui mais de uma abordagem, em conjunto ou em sequência.
É importante ter em mente que, apesar de não ser maligna como o câncer, a endometriose – e a consequente dor pélvica – muitas vezes se comporta de maneira agressiva. Por isso, médicos devem transmitir a orientação adequada à paciente sobre as consequências e os riscos do uso de medicações e dos procedimentos.
O que deve ficar como mensagem é que tratamentos bem indicados têm mais chances de sucesso.
Feliz semana especial das mulheres! Vocês são a nossa inspiração!
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